
Criada por Baran Bo Odar, que também dirige quase todos os episódios, e Jantje Frise, que assina o roteiro, Dark é a primeira produção original alemã da Netflix, que estreou em dezembro, trazendo a premissa de ser uma das séries mais sombrias do streaming e conseguindo o feito nos dez episódios da primeira temporada. A série é uma boa pedida para quem gosta de ficção cientifica, já que entramos de cabeça em uma discussão de passado, presente e futuro.
Winden é uma cidadezinha pacata cujo o maior destaque é sediar a usina de energia nuclear, que está sendo desativada, até que duas crianças desaparecem de forma misteriosa e sem deixar rastros ou suspeitos. No meio de toda essa trama, temos alguns personagens que se destacam, como o jovem Jonas Kahnwald (Louis Hofmann), que além de enfrentar os dramas da adolescência, como ver a menina por quem é apaixonado namorar o seu melhor amigo, enfrenta a angustia de não entender o suicídio do pai. E Ulrich Nielsen (Olier Masucci), um homem desesperado para encontrar seu filho desaparecido, capaz de fazer o que for para tê-lo de volta. Charlotte Doppler (Karoline Eichhorn), a delegada responsável pelo caso do desaparecimento e com uma trama pessoal com uma carga emocional forte, nos prendendo a série ainda mais. Conforme o tempo ai passando, a trama evolui e somos levados para uma dinâmica onde o passado, presente e futuro coexistem.
Comparando-a diretamente com Stranger Things, algo que praticamente todos estão fazendo, já que a premissa é parecida por começar a série com uma criança desaparecida de forma que beira o sobrenatural, mas é apenas ai que podemos comparar. Enquanto Stranger Things nos cativa pela amizade e afeto entre os personagens, Dark é uma série muito mais sombria, com uma trama mais séria, como corpos que aparecem na floresta, um homem que comete suicídio e deixa rastros, crianças desaparecendo sem deixar pistas, e se torna bastante interessante pela forma como seus protagonistas agem sob os efeitos de seus traumas.
É comum todo mundo se conhecer em cidade pequena, mas no caso de Widen as coisas estão muito mais interligadas do que imaginamos. Temos quatro famílias principais que nos são apresentadas – Nielsen, Kahwald, Tiedemann e Dopple – cada família com sua personalidade própria e segredos, muito segredos.
Falando um pouco da parte técnica, existe um cuidado bem detalhista com a fotografia da série, deixando claro o clima sombrio pela iluminação fraca e cores fortes, os cenários, externos e internos, são lindos e repleto de detalhes sobre a personalidade dos personagens. Todos os atores são excelentes e realmente entram nos personagens, você realmente sente que eles estão sentindo. Mas o grande mérito de Dark está consegui acertar na medida exata de complexidade, não sendo tão fácil de entender, mas algo que conseguimos fazer sem uma dificuldade tão grande e que nos deixa cada vez mais preso a série.
Dark é uma série com temáticas maduras e cheia de reviravoltas, uma grande aposta da Netflix e uma excelente série para se assistir!
